Câmara de São Paulo aprova emenda que amplia verba para obras em bairros periféricos
Atualizado em 9 de junho de 2026 — inclusão de cronograma de licitações informado pela Secretaria de Infraestrutura Urbana.
Por 38 votos a 17, vereadores aprovaram na noite de segunda-feira a destinação de R$ 180 milhões para obras de pavimentação, iluminação pública e drenagem em dez distritos da zona leste e sul de São Paulo. A emenda, de autoria de bancada mista, altera o orçamento municipal de 2026 e prevê início das licitações ainda no terceiro trimestre.
Para quem mora em Itaquera, Cidade Tiradentes ou Jardim Ângela, a notícia soa familiar — e é justamente isso que tensiona o debate. Nas últimas duas décadas, promessas semelhantes apareceram em planos plurianuais e discursos de campanha. A diferença, desta vez, é que o valor está empenhado no orçamento corrente e vinculado a metas de execução com prazos publicados.
O que foi aprovado
A emenda redistribui recursos que estavam reservados a projetos de médio porte no centro expandido. Cerca de 60% do montante irá para pavimentação de vias sem asfalto em trechos indicados por audiências públicas realizadas entre março e maio. Outros 25% foram alocados para modernização de iluminação em corredores de ônibus e praças de bairro. O restante financia obras de microdrenagem em áreas com histórico de alagamentos.
O relator da proposta, vereador Marcos Ribeiro (sem partido), defendeu que a mudança corrige um desequilíbrio histórico. "Não se trata de favor, e sim de equalizar investimento onde a densidade populacional cresceu sem infraestrutura acompanhando", disse durante a sessão. A oposição questionou a origem dos recursos e pediu mais detalhes sobre critérios de priorização.
Cronograma e licitações
Segundo nota da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana enviada à redação nesta terça-feira, o edital para o primeiro lote de pavimentação deve ser publicado até 15 de agosto. O lote contempla quatro distritos: Itaquera, São Mateus, Cidade Ademar e Capão Redondo. Licitações de iluminação e drenagem ficam previstas para setembro e outubro, respectivamente.
A secretaria informou ainda que cada obra terá placa com identificação do valor investido e prazo de conclusão — exigência incluída na emenda após pressão de conselhos de bairro. Moradores poderão acompanhar o andamento por portal da transparência municipal, embora associações cobrem interface mais simples, acessível por celular.
O que dizem os moradores
Na zona leste, a reação é cautelosa. Dona Aparecida, 58 anos, moradora de Cidade Tiradentes há trinta anos, lembra de asfalto prometido na gestão anterior que nunca chegou à rua dela. "Agora quero ver o caminhão na porta", resume. Já o Conselho Local de Saúde do distrito de São Mateus avaliou positivamente a previsão de drenagem, área em que enchentes afetam postos de atendimento e escolas.
Na zona sul, comerciantes da Avenida Senador Teotônio Vilela veem com bons olhos a iluminação prevista para o corredor. "À noite o movimento cai porque muita gente tem medo de caminhar no escuro", conta Seu João, que tem mercearia no Jardim Ângela há vinte anos.
Próximos passos
A Prefeitura tem dez dias para sancionar ou vetar trechos da emenda. Fontes ouvidas pela Bravita indicam que vetos parciais são improváveis, mas possíveis em itens que conflitem com contratos já firmados. Vereadores da bancada autora prometem audiência pública em julho para apresentar o cronograma detalhado por rua.
A Bravita acompanhará as licitações e publicará atualizações conforme os editais forem abertos. Para reportar obras iniciadas — ou atrasadas — na sua região, escreva para [email protected].